Hoje acontece no Afeganistão as eleições presidenciais em meio a conflitos e ataques. Essa situação me faz parar e pensar um pouco sobre a influência da religião islâmica para a construção da paz no Oriente Médio, ou por que não dizer, no mundo?
Bom, para tentar buscar uma resposta para essa pergunta, eu acho sensato voltar ao início. O islamismo foi fundado na Arábia, por Maomé, no século VII, como sendo uma religião monoteísta que segue à risca algumas práticas religiosas. A religião tem o Alcorão como escritura sagrada e Alá como seu grande Deus.
Ainda no século VII, o islamismo expandiu-se por outros territórios, conseguindo levar sua mensagem para países da Ásia, Norte da África e também Península Ibérica. Esse movimento de expansão foi chamado de Jihad pelos Europeus, comparando-o com as cruzadas da Igreja Católica. Entretanto, é importante ressaltar que o conceito de Jihad não significa “Guerra Santa”, mas significa um esforço do povo mulçumando de levar a mensagem islâmica para outros povos.
Com a expansão do islamismo por outros territórios, onde houve o estabelecimento e a conquista de terras, inciou-se então a discussão sobre a sucessão do controle das regiões conquistadas. Foi a partir desse ponto que começou a surgir diversos grupos políticos. Os dois mais evidentes atualmente são os Sunitas e os Xiitas:
Os Sunitas correspondem ao grupo político que segue o Suna. O Suna é considerado como um segundo livro que dita as leis islâmicas (proferidas por Maomé), após o Alcorão, que corresponde à palavra de Alá. Os Sunitas, baseando-se no Suna, acreditam que os líderes religiosos devem ser escolhidos pela população islâmica, e correspondem em torno de 80% de toda a comunidade islâmica global.
Em contrapartida, os Xiitas afirmam que os membros diretos da família do profeta Maomé devem controlar politicamente o islamismo. Eles justificam essa visão apoiando-se na teoria que somente os descendentes de Maomé teriam sabedoria para conduzir a fé islâmica e seus fiéis. Os Xiitas estão espalhados por todo o mundo, mas são predominantes em determinados países, como Bahrein, Omã e Azerbaijão. No Iraque, onde cerca de 95% da população é mulçumana, em torno de 2/3 são Xiitas. Entretanto, eles eram oprimidos pelo governo de Saddam Hussein (Partido Baath, composto por maioria s).
A divergência entre essas duas vertentes políticas acarretou em conflitos em diferentes territórios ao longo dos anos. A Al Qaeda, tida como sunita, já enfrentou diversos conflitos contra os xiitas no Iraque, após a invasão do exército americano.
Uma situação similar ocorre no Afeganistão, sendo o motivo de ataques e conflitos durante essas eleições. O exército americano invadiu o país, após os ataques de 11 de Setembro, na busca de Osama bin Laden e com o objetivo de desmantelar a sua rede terrorista Al Qaeda. Na época, os terroristas eram apoiados pelo Talibã, um grupo islâmico extremista presente no Afeganistão. Após os ataques americanos, a Al Qaeda refugiou-se em uma região montanhosa do país, na divisa com o Paquistão.
Essas eleições no Afeganistão são de extrema importância para que os Estados Unidos continuem com a sua “guerra contra o terror”. E para isso, é importante que seja reeleito Hamid Karzai, apoiado pelo governo americano. Entretanto, a Al Qaeda vem mostrando sua força através de conflitos e atentados no Afeganistão, justificando a sua posição contra os Estados Unidos.
Entretanto, mesmo que Hamid Karzai seja reeleito, o seu poder não deve ser absoluto, uma vez que o controle e as influências no país estão espalhadas por determinados grupos que dividem-se em apoio aos Estados Unidos e aos grupos extremistas.
Agora, basta aguardar o resultado da votação das eleições, e caso Hamid Karzai seja eleito, analisar como o seu governo irá reagir em sinergia com os Estados Unidos e também sua postura para consolidar forças para centralizar o comando do Afeganistão em suas mãos. Mas uma coisa é quase certa, o movimento da Al Qaeda, saindo do Afeganistão e penetrando no Paquistão, torna-se uma ameaça ainda maior.
O que é interessante perceber nesses cenários é a força, e ao mesmo tempo a fragilidade causada pela divisão dentro do Islamismo. Dois grupos políticos, sunitas e xiitas, que seguem a mesma religão, tornam-se, em muitos momentos, inimigos através de jogos de interesses e conflitos. É também importante ressaltar que somente uma pequena parcela dos mulçumanos, considerados extremistas para garantir a sobrevivência do islã (em seu estado puro), que participam em atos terroristas. A maioria dos seguidores do islamismo assume que a religião mulçumana é pacifica e tolerante.
Abaixo, segue um video sobre o crescimento demográfico mulçumano no mundo. Esse vídeo fez sucesso na Internet alguns meses atrás. Infelizmente, não foi possível checar as fontes dos dados usados no filme, mas mesmo assim, ele mostra alguns cenários que já são possíveis de serem verificados nos dias de hoje: