Um pouco de Platão, Aristóteles e Darwin: contrapontos

8 09 2009

Muitos dizem que a filosofia traduz a capacidade do ser humano de admiras as coisas a sua volta. Assim, qualquer pessoa é um pouco filósofa e é claro que a filosofia passou por muitas transformações, com o surgimento de diferentes projetos filosóficos e muitos personagens ao longo da história da humanidade. Desde Tales, considerado um filósofo da natureza, até Nietzche, passando por Descartes, Kant, entre outros. A viagem da história da filosofia é algo realmente fascinante. Vale lembrar que 2009 é chamado o “ano de Darwin”, então nada mais interessante do que apresentar contrapontos entre alguns filósofos e o próprio Darwin.

Um dos principais  filósofos da Antiguidade foi Platão. Particularmente, eu julgo a teoria de Platão singular, bastante importante para a sua época, mas talvez um pouco “romântica” para os dias atuais, principalmente pelos contrapontos apresentados por outros filósofos. É notório o papel fundamental que Platão desenvolveu na história da filosofia, principalmente por ter sido discípulo de Sócrates, sendo o responsável por divulgar sua posição filosófica, além de ter fundado a Academia de filosofia em Atenas.

O projeto filosófico de platão, o que podemos chamar também de filosofia platônica, aborda a noção que o homem está em contato com duas realidades distintas: inteligível e sensível. A realiadade inteligível também pode ser chamada de “Mundo das Idéias”, uma realidade imutável, onde existem as “formas” de tudo o que encontramos no mundo real através de nossos sentidos, por isso é chamada de realidade sensível.

Para Platão, nós vivemos no mundo senvível onde percebermos as idéias formuladas (no mundo das idéias, é claro) através de nossos sentidos. Em outras palvaras, quando vemos um cavalo, esse elemento nada mais é do que uma réplica da idéia cavalo que existe na realidade inteligível, onde por sua vez, a sua forma é imutável. Seguindo essa linha, é possível afirmar que a alma, poderia habitar o “mundo das idéias” antes de estar em contato com o nosso corpo, e consequentemente com a realidade sensível.

Já Aristóteles, foi alundo de Platão na sua Academia de filosofia, e apresentou um projeto filosófico ao contrario do seu mestre. Aristóteles, um dos percussores do empirismo, defendia que toda e qualquer idéia passa primeiro pelos nossos sentidos para atingir nossa realidade inteligível. Assim, não haveria uma idéia a priori, mas que o homem perceberia todas as coisas inicialmente a partir de seus sentidos. A posição de Aristóteles é totalmente contrária ao de Platão, que defende que existem idéias imutáveis na realidade inteligível.

Mas o que tem Darwin a ver com tudo isso?

Darwin, com a sua teoria da evolução, praticamente “selou” como inconsistente o projeto platônico de filosofia. Platão defendeu que tudo o que experimentamos é na verdade um reflexo das idéias imutáveis da realidade inteligível. Em contrapartida, Darwin mostrou a evolução das espécies, inclusive do ser humano. Mas como isso seria possível se analisarmos o trabalho de Darwin a partir da ótica de Platão? Darwin defendeu que o homem passou por diversas evoluções, mas será que a idéias também evoluíram na realidade inteligível de Platão? Ou será que temos que defender a posição de Aristóteles, que os nossos sentidos são capazes de perceber essa evolução e assim, quem sabe,  atualizarem o “Mundo das Idéias”?



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