Resenha do filme Corra Lola Corra
Corra Lola Corra é um filme alemão dirigido pelo diretor Tom Tywer, que destaca vigorosamente a constituição da sociedade no periodo contemporâneo. Repleto de sons e imagens envolventes, o longa-metragem traz questões referentes a importânica do tempo nos dias atuais. A velocidade demonstrada na obra remete ao modelo de produção em série, onde cada minuto é precioso, onde a “fábrica” nunca deve parar. É possível perceber essa analogia pelo fato de Lola correr alucinadamente para alcançar o seu objetivo, um cenário onde cada minuto torna-se de extrema importância para o personagem.
Na história do filme, Lola precisa conseguir uma grande quantidade de dinheiro para livrar seu namorado de uma quadrilha para qual ele trabalha. Porém, a personagem tem apenas um curto espaço de tempo para alcançar tal façanha. Lola transforma-se então em uma máquina, um conjunto de mecanismos que precisar produzir (no caso, conseguir a quantia necessária de dinheiro) em um curto espaço de tempo. A partir dessa ótica, pode-se evidenciar a ligação de Corra Lola Corra com o filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin, onde também o tempo, principalmente relacionado com a linha de produção, é evidenciado.
O tempo tornou-se uma característica intrínseca ao capitalismo. Os economistas clássicos também já destacaram essa relação em momentos anteriores. Adam Smith defendeu a divisão do trabalho, que seria favorável para o aumento da produtividade a partir da especialização em pequenas tarefas por parte dos trabalhadores e também a economia de tempo na passagem de uma tarefa para outra. Assim, tanto com base nos filmes Corra Lola Corra e Tempos Modernos, como também nas obras dos pensadores econômicos clássicos, é inevitável a associação da importância do tempo para a o modelo de produção capitalista.
Mas o filme Corra Lola Corra também aponta diversas questões que remetem a vida contemporânea, descolando-se assim de idéias apresentadas em Tempos Modernos. Corra Lola Corra é um filme de 1998 e Tempos Modernos de 1936, essa divergência entre os espaços de tempo é notória para que a sociedade sofresse determinadas transformações em seu modelo de constituição.
Em Tempos Modernos, a linha de produção é o enfoque central, onde todos executam uma tarefa especializada (divisão trabalho) de maneira sacal. Todos os trabalhadores são considerados instrumentos básicos de produção, onde embora cada um executa uma tarefa específica, como simples elementos de produção. Essa afirmação pode ser exemplificada quando no filme (Tempos Modernos), há uma cena onde todos os trabalhadores chegam à fábrica vestidos de maneira parecida, cada qual com o seu chapéu, mas sem nenhuma identidade própria para ser demonstrada.
Já em Corra Lola Corra acontece exatamente o oposto, ainda que o tempo continue como fator elementar, o modelo de produção destacado no filme de Charlie Chaplin é colocado de lado. Lola é uma personagem com identidade diversificada do padrão da sociedade na época, cabelos vermelhos e roupas não comuns. Mani, seu namorado, não possui um emprego formal e tradicional, mas está envolvido com crimes. Ambos os personagens fogem do padrão, e essa questão mostra as transformações da sociedade do período de Tempos Modernos até os dias atuais. Mas, embora tenha ocorrido muitas modificações, o tempo continua um elemento fundamental para todos que vivem no capitalismo. E foi justamente o fator tempo que causou todo o desenrolar do filme Corra Lola Corra, pois a personagem principal, Lola, não estava no momento combinado para buscar o seu namorado após uma de suas missões.