As influências escondidadas nas redes socias

17 05 2010

Nesse vídeo, Nicholas Christakis mostra o poder das redes socias em influenciar os comportamentos e atitudes das pessoas que vivem em sociedade. É interessante que nesse vídeo não foi discutido as redes sociais na Internet, mas sim as redes sociais de forma pura, como interligações de pessoas através de amizades, casamentos, trabalho e etc. De acordo com esse estudo, as pessoas ao nosso redor podem influenciar diretamente nossas alegrias e tristezas, riquezas e pobrezas, atitutes e emoções, etc. Agora, imaginem esse mesmo estudo aplicado as redes socias na Internet, onde os laços sociais tem um alcance além das fronteiras geográficas? algo muito interessante para se pensar…..





Petit Gâteau de avelã

17 05 2010

Quem não gosta de Petit Gateau? Afinal, essa é a sobremesa que mais se popularizou no Brasil nos últimos anos. Algum tempo atrás, você só a encontrava em restaurantes alto-padrão. Hoje já pode ser degustada em diversas sorveterias, docerias e confeitarias, muitas vezes com excelente qualidade, outras vezes deixando a desejar .
Mas qual será a origem desse bolinho que parece que saiu do forno antes de estar pronto? pesquisei um pouco e há algumas discrepâncias em relação ao local d0 seu surgimento. Algumas fontes afirmam que foi na França, outras que foi nos Estados Unidos. Pelo menos ambas são unânimes ao afirmar que provavelmente essa sobremesa foi criada ao acaso, por um erro e posteriormente um improviso de algum chef distraído, que cozinhou o bolo em uma temperatura muito elevada por um curto espaço de tempo.

O que importa é que esse improviso, erro, criação ou seja lá o que for, caiu mesmo no gosto da população mundial. Não importa a cidade que você estiver no mundo, sempre haverá algum estabelecimento servindo o tal Petit Gateau. Claro que o nome pode sofrer algumas variações, já que petit gateau em francês significa “pequeno bolo” algo muito genérico para um produto específico, e por essa razão acredita-se que o nome Petit Gateau disseminou-se em um primeiro instante na América do Norte. Na frança, você pode encontrar essa sobremesa com diversos nomes, como “Moelleux au Chocolat”, “Mi-Cui au Chocolat” ou até mesmo “Jusque Cuit”.
Agora chega de blá, blá, blá e vamos botar a mão na massa. Abaixo eu compartilho uma receita de Petit Gateau de chocolate, mas com um diferencial, um toque de avelã.

Ingredientes

  • 95g de chocolate meio-amargo (preferencialmente, Callebaut :P )
  • 90g de manteiga em temperatura ambiente.
  • 3 ovos médios
  • 65g de açúcar
  • 40g de farinha de trigo peneirada
  • 100g de gianduia (creme de avelã com chocolate, conhecido mundialmente como Nutella, mas pode ser outra marca também)
  • Cacau em pó peneirado Q.B
  • Sorvete, Gelato (sabor a definir)

Modo de preparo

  • Faça 6 pequenas bolinhas de aproximadamente 2cm com a Gianduia. Coloque no freezer e deixe-as congelar.
  • Corte o chocolate em pequenos pedaços e derreta-os em banho-maria. Retire do fogo e acrescente a manteiga. Reserve.
  • Misture os ovos com o açúcar e mexa bem. Misture com o chocolate derretido e a manteiga.
  • Junte a farinha peneirada e mexa bem.
  • Coloque em forminhas untadas com manteiga, farinha e um pouco de cacau em pó.
  • Adicione uma bolinha de gianduia em cada forminha. Mergulhe as bolinhas até que estejam submersas, mais ou menos no centro. O objetivo é que a gianduia derreta juntamente com a calda de chocolate, danto um sutil toque de avelãs ao creme do petit gateau.
  • Deixe descansar na geladeira as forminhas por aproximadamente 30 minutos (mas tem que deixar mesmo).
  • Asse em forno pré-aquecido a 200-220ºC por aproximadamente 8-10 minutos. Desenforme ainda quente.
  • Sirva com 1 bola do seu sorvete preferido.






Como as fotografias podem ajudar a mudar o mundo…

10 05 2010




Google Chrome is the best….

5 05 2010

O Google lançou um filme muito interessante (e creativo) sobre os testes de performence do Chrome. Eu confesso que depois que instalei o Chrome (tanto no Windows como recentemente no Linux) não consigo utilizar outro navegador. O Firefox ainda é utilizado de vez em quando, mas o Internet Explorer me dá desespero. O Chrome ao meu ver é um navegador mais leve e mais rápido. Embora há grupos que reclamam da falta de alguns plugins, no meu caso encontrei todos que precisava. Segue o vídeo:





Gnocchi Pomodori

3 05 2010

Ciao!

Nhoque, Gnocchi, nhoco, muitas são as palavras para nomear essa fantástica maravilha do mundo gastronômico. Sem dúvidas uma das minhas comidas prediletas. Ainda me recordo do primeiro prato que apreciei em minha viagem para a Itália. Em uma daquelas vielas pitorescas de Roma, um aconchegante restaurante, um nhoque ao pesto e um vinho da casa! Lembrança que permanece ainda viva em minhas memórias.

Eu aprecio muito a gastronomia italiana. Adoro massas e pães, troco facilmente um churrasco por um belo prato de macarroni. Acredito que isso já está no sangue, afinal sou descendente de italianos (e espanhois também, mas eu odeio paella). É interessante também citar toda a magia que envolve um simples alimento como o nhoque, chamado até mesmo de prato da fortuna em alguns países (inlcusive no Brasil).

Nesse fim de semana eu dediquei um certo tempo para preparar um Gnocchi ao molho Pomodori (aquele com pedacinhos de tomate concassé). A tarefa não poderia ser diferente, acordei cedo e fui à feira escolher batatas e tomates para a preparação do prato. Aprendi que a batata Asterix, com cor avermelhada, é uma das melhores para preparar o nhoque por não absorver tanta água. O resultado foi esse prato que vocês podem ver na foto desse post! Compartilho também a receita do nhoque e do molho pomodori.

Gnocchi de Batata

Ingredientes

  • 1Kg de Batata (de preferência Asterix)
  • 100g de Semolina Grano Durum (pode ser substituída por farinha de trigo tipo I)
  • 100g de Farinha de Trigo
  • 2 gemas de ovos médios
  • 100g de queijo parmesão ralado (opcional)
  • Sal Q.B
  • Pimenta Q.B

Modo de preparo

  • Cozinhe as batatas com casca em uma panela com água e sal. (Eu não recomendo utilizar panela de pressão, pois a pressão pode estourar a casca e fazer com que a batata absorva água).
  • Descasque as batatas e passe-as pelo espremedor. Reserve para esfriar.
  • Adicione aos poucos as duas gemas, a semolina, a farinha, o parmessão, a pimenta e o sal desejado. Mescle os ingredientes com as pontas dos dedos (não é necessário sovar a massa).
  • Deixe descansar por aproximadamente 20 minutos. Forme tiras longas e corte em pedaçõs pequenos. Você também pode moldar cada pedaço com um garfo, pressionando-o sobre a massa.
  • Cozinhe todo o nhoque em uma panela grande com água e um pouco de sal.

Para acompanhar o gnocchi, eu preparei o molho Pomodori, que leva como base o molho ao sugo. Sendo assim, primeiro eu compartilho a receita do molho ao sugo, e logo em seguida a do molho Pomodori.


Molho ao sugo

Ingredientes

  • 3 kg de tomates débora bem maduros
  • 2 cebolas médias cortadas em brunoise.
  • 1 cenoura cortada em brunoise.
  • 4 talos de salsão cortados em brunoise.
  • 80 ml de vinho tinto seco.
  • 1 colher de extrato de tomate (se necessário)
  • Sal Q.B
  • Pimenta Q.B
  • Manjericão Q.B

Modo de preparo

  • Em uma panela grande, corte os tomates ao meio, acrescente o mirepoix (cebola, cenoura e salsão), o extrato de tomate (opcional), um pouco de água e leve ao fogo até o tomate murchar.
  • Bata a mistura em um liquidificador e coe.
  • Retorne a mistura para a panela e acrescente o vinho tinto seco.
  • Adicione o manjericão, o sal, a pimenta e outras ervas que desejar.
  • Deixe apurar por aproximadamente 20 minutos. Reserve.

Molho Pomodori

Ingredientes

  • 30 ml de óleo de milhou ou de soja (ou até mesmo azeite).
  • 2 dentes de alho.
  • 1 kg de tomate débora concassé (sem pele e sem semente, cortados em cubos)
  • 1 litro de molho ao sugo (pode adicionar uma quantidade maior ou menor, dependendo do resultado desejado).
  • Oregano Q.B
  • Manjericão Q.B
  • Sal Q.B.
  • Pimenta Q.B.

Modo de preparo

  • Frite o alho no óleo, acrescente o tomante concassé, o manjericão e o orégano.
  • Deixe refogar por alguns minutos e acrescente o molho ao sugo.
  • Cozinhe por mais alguns minutos. Os pedaços de tomate não devem desmanchar por completo.
  • Sirva com o gnocchi quente. Adicione queijo parmesão se desejar.
  • Buon appetito!




Resenha – Corra Lola Corra

28 04 2010

Resenha do filme Corra Lola Corra

 

Corra Lola Corra é um filme alemão dirigido pelo diretor Tom Tywer, que destaca vigorosamente a constituição da sociedade no periodo contemporâneo. Repleto de sons e imagens envolventes, o longa-metragem traz questões referentes a importânica do tempo nos dias atuais.  A velocidade demonstrada na obra remete ao modelo de produção em série, onde cada minuto é precioso, onde a “fábrica” nunca deve parar. É possível perceber essa analogia pelo fato de Lola correr alucinadamente para alcançar o seu objetivo, um cenário onde cada minuto torna-se de extrema importância para o personagem.

Na história do filme, Lola precisa conseguir uma grande quantidade de dinheiro para livrar seu namorado de uma quadrilha para qual ele trabalha. Porém, a personagem tem apenas um curto espaço de tempo para alcançar tal façanha. Lola transforma-se então em uma máquina, um conjunto de mecanismos que precisar produzir (no caso, conseguir a quantia necessária de dinheiro) em um curto espaço de tempo. A partir dessa ótica, pode-se evidenciar a ligação de Corra Lola Corra com o filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin, onde também o tempo, principalmente relacionado com a linha de produção, é evidenciado.

O tempo tornou-se uma característica intrínseca ao capitalismo. Os economistas clássicos também já destacaram essa relação em momentos anteriores. Adam Smith defendeu a divisão do trabalho, que seria favorável para o aumento da produtividade a partir da especialização em pequenas tarefas por parte dos trabalhadores e também a economia de tempo na passagem de uma tarefa para outra. Assim, tanto com base nos filmes Corra Lola Corra e Tempos Modernos, como também nas obras dos pensadores econômicos clássicos, é inevitável a associação da importância do tempo para a o modelo de produção capitalista.

Mas o filme Corra Lola Corra também aponta diversas questões que remetem a vida contemporânea, descolando-se assim de idéias apresentadas em Tempos Modernos. Corra Lola Corra é um filme de 1998 e Tempos Modernos de 1936, essa divergência entre os espaços de tempo é notória para que a sociedade sofresse determinadas transformações em seu modelo de constituição.

Em Tempos Modernos, a linha de produção é o enfoque central, onde todos executam uma tarefa especializada (divisão trabalho) de maneira sacal. Todos os trabalhadores são considerados instrumentos básicos de produção, onde embora cada um executa uma tarefa específica, como simples elementos de produção. Essa afirmação pode ser exemplificada quando no filme (Tempos Modernos), há uma cena onde todos os trabalhadores chegam à fábrica vestidos de maneira parecida, cada qual com o seu chapéu, mas sem nenhuma identidade própria para ser demonstrada.

Já em Corra Lola Corra acontece exatamente o oposto, ainda que o tempo continue como fator elementar, o modelo de produção destacado no filme de Charlie Chaplin é colocado de lado. Lola é uma personagem com identidade diversificada do padrão da sociedade na época, cabelos vermelhos e roupas não comuns. Mani, seu namorado, não possui um emprego formal e tradicional, mas está envolvido com crimes. Ambos os personagens fogem do padrão, e essa questão mostra as transformações da sociedade do período de Tempos Modernos até os dias atuais. Mas, embora tenha ocorrido muitas modificações, o tempo continua um elemento fundamental para todos que vivem no capitalismo. E foi justamente o fator tempo que causou todo o desenrolar do filme Corra Lola Corra, pois a personagem principal, Lola, não estava no momento combinado para buscar o seu namorado após uma de suas missões.





Picanha ao molho champignon

22 04 2010

Feriado no meio da semana, que maravilha. Uma picanha na geladeira e um dia ensolarado. Que tal um churrasco? Nada disso. O prato do dia foi picanha ao molho champignon com cenoura salteada de acompanhamento. Segue a receita:

Ingredientes

  • 500g de picanha cortada em bifes médios.
  • 4 colheres de sopa de requeijão.
  • 4 colheres de sopa de creme de leite.
  • 100g de champignon.
  • 1 pequeno cálice de conhaque (ou uísque) para flambar.
  • 3 cenouras salteadas.
  • Sal Q.B.
  • Pimenta Q.B.

Modo de preparo

  • Tempere a picanha somente com sal e pimenta.
  • Em uma frigideira, frite a picanha com um pouco de azeite de oliva até o ponto desejado. Reserve.
  • Na mesma frigideira, acrescente o champignon (se for champignon em conserva, pode ser adicionado um pouco da água para deglaçar) e cozinhe por alguns minutos.
  • Acrescente o requeijão e cozinhe por mais alguns minutos.
  • Flambe com o conhaque ou o uísque.
  • Acrescente o creme de leite e desligue o fogo.
  • Acerte o sal e a pimenta.
  • Sirva a picanha com o molho e cenouras salteadas como acompanhamento.




Em busca da trufa perfeita…

11 04 2010

A primeira vez que eu experimentei uma trufa da Godiva, fiquei pensando em como eles conseguiam obter uma textura e cremosidade tão agradável ao paladar. Eu pensava, erradamente, que tudo era uma questão de equipamentos e produtos químicos utilizado na composição. Eu estava errado, e descobri isso em uma viajem para a Suíça, mais especificamente para Genebra, durante  um evento de pesquisa sobre o LHC.

Genebra é uma cidade na divisa com a França e é tradicionalmente conhecida por sua grande quantidade de casas de chocolates e cafés que produzem diariamente uma infinidade de tipos de trufas e bombons, variando o sabor e o tipo, que são servidos fresquinhos aos seus consumidores. Em muitas delas, há uma parede de vidro que permite ao consumidor enxergar o lugar de preparo das trufas, uma perfeita visão para a verdadeira fantástica fábrica de chocolate. Eu notei, que não haviam muitos aparelhos no local de produção, e tive a certeza que o importante para essas casas era mesmo o trabalho artesanal. Nessa ocasião, é o ser humano que dá o toque final a essa maravilha gastronômica, uma situação bem interessante, uma vez que as tecnologias estão presentes em quase todas as tarefas de nossas vidas.

Ao voltar para o Brasil, eu busquei alternativas para aprender mais sobre chocolate e o preparo de trufas. Eu realizei treinamentos em alguns centros que se dizem especializados em gastronomia, onde  foi ensinado só o básico, no estilo: misture o creme de leite, o chocolate e a manteiga. Mas eu queria mais do que isso, a essa altura eu já desejava entender os segredos das trufas de Genebra. Foi então que eu comprei o livro “Chocolates & Confections: formula, theory, and techniques for the artisian confectioner” e lá encontrei a teoria que eu precisava. Infelizmente esse é um livro importado com um preço “salgado”, mas vale a pena por ser uma das referências no assunto.

Na semana passada, em meio ao espírito de páscoa, com propagandas de chocolate pra lá e pra cá, eu decidi preparar trufas com os chocolates belgas Callebaut e Belcolade (são vendidos em pacotes de 2,5Kg em algumas importadoras em São Paulo). É importante citar que é praticamente um consenso que os melhores chocolates do mundo são os belgas, os suíços e os franceses, não porque os territórios dessas nações tenham os melhores “grand crus”, mas devido ao fato das marcas presentes nesses países serem donas das melhores plantações de cacau ao redor do mundo (ver o post para ter mais informações sobre o chocolate).

Fiquei bastante contente com o resultado alcançado na preparação das trufas, a textura firme em contraste com a cremosidade ao ser degustada me fez lembrar das casas de chocolates da Suíça. Eu também recebi muitos elogios de muitas pessoas que experimentaram as trufas e acredito importante compartilhar os conhecimentos adquiridos sobre trufas:

Ganache

Antes de qualquer coisa, ganache não é a simples mistura de creme de leite com chocolate, como muitos pensam. O ganache é a base da trufa e deve ser preparada com o máximo de atenção. O ganache nada mais é do que uma emulsão de gordura em água e para o seu preparo não é necessária uma extensa experiência nem tão pouco grandes habilidades, já que requer apenas alguns ingredientes e um processo simples de produção. Basta apenas ter atenção e um bom sentimento no coração!

Fórmula do ganache perfeito

Abaixo eu descrevo os principais ingredientes que estão presentes no ganache e também a fórmula para os cálculos das quantidades:

Creme de leite

O creme de leite é o ingrediente fundamental para a preparação do ganache (praticamente não existem exceções de ganache  sem creme de leite, embora possa haver variações). É a partir do creme de leite que se calcula a quantidade dos outros ingredientes presentes no ganache.

Glucose

A glucose é utilizada no ganache para diminuir o nível da atividade da água, ajudar a estabilizar a emulsão e a manter uma textura cremosa, evitando assim a recristalização do açúcar. De maneira tradicional, pode-se adicionar de 25% a 30% de glucose em comparação com o peso da quantidade de creme de leite utilizado. Essa formula ajuda a prover uma excelente textura e estabilidade para o produto final.

Líquidos aromatizantes

A quantidade de líquidos aromatizantes que deve ser adicionada ao ganache varia muito do tipo escolhido. Por exemplo, é comum encontrar trufas que têm o aroma de conhaque, outras de champagne (muito comum na Suíça, principalmente preparada com chocolate branco) e assim por diante. Mas como guideline, pode-se assumir 20% da quantidade de líquido aromatizante em relação com a quantidade de creme de leite.

Manteiga

A manteiga é um ingrediente opcional no ganache, mas é frequentemente utilizado, especialmente quando líquidos aromatizantes são usados. A teoria de adicionar a manteiga é simples:  vimos que o ganache nada mais é do que uma emulsão de gordura em água, certo? Quando adicionamos os líquidos aromatizantes (conhaque, por exemplo), o ganache será composto por uma quantidade muito maior de água, o que poderá ocasionar na perda de qualidade em textura. Para compensar a quantidade gordura necessária no ganache, utiliza-se geralmente a manteiga. Pode-se calcular 50% de manteiga em relação à quantidade de líquido aromatizante. Por exemplo, se utilizarmos 200g de rum no ganache, 100g de manteiga deve ser adicionada à mistura.

Adicionalmente, a manteiga também pode ser utilizada para compensar quando utilizamos cremes de leite com quantidade menor de gordura.

Chocolate

O que seria de um ganache sem chocolate? Creio que nada! É importante que além de determinar o sabor do ganache, o chocolate também é um fator chave na determinação da consistência e da textura do produto final. Para calcular a quantidade de chocolate, deve-se levar em consideração a quantidade total de liquifiers (creme de leite + líquidos aromatizantes) presente no ganache. Tipicamente, quando se utiliza chocolate dark (meio-amargo e amargo), a proporção de chocolate é de 2:1 em relação à quantidade de liquifiers. Para chocolate ao leite e chocolate branco, a proporção indicada é de 2,5:1.

Nota: lembre-se que somente o creme de leite e os líquidos aromatizantes são contabilizados como liquifiers, a manteiga não.

É importante destacar que essas recomendações são indicadas como “melhores práticas” na busca de obter bons resultados em relação ao sabor, consistência e textura, mas não são leis. A gastronomia é uma arte, e como toda boa arte,  permite que seus artistas possam fazer novos experimentos e buscar novos resultados.

Com base na teoria dos ingredientes estudados acima, abaixo há uma tabela com os ingredientes e a quantidade para a preparação de um ganache:

  • 250g de creme de leite (fresco)
  • 70g glucose
  • 60g líquido aromatizante (rum, por exemplo)
  • 30g de manteiga
  • 620g de chocolate meio-amargo

Claro que acima há só um cálculo baseado na teoria de quantidade dos ingredientes. Se você quiser, por exemplo, preparar um ganache sem líquidos aromatizantes e com chocolate branco, a teoria compartilhada anteriormente permite que você possa fazer os cálculos da quantidade de cada ingrediente.

Modo de preparo

  • Em uma panela, misture o creme de leite com a glucose, e aqueça até o ponto de fervura.
  • Em outro recipiente, coloque o chocolate já picado (ou em callets). Adicione a mistura do creme de leite ainda quente sobre o chocolate. Espere por aproximadamente 1 minuto.
  • Incorpore a mistura do creme de leite com o chocolate, com pequenos movimentos circulares, do centro para a fora, até a mistura parecer uma “maionese de chocolate” (lembre-se: ganache é uma emulsão de gordura em água).
  • Se houver chocolates que não derreteram, aqueça novamente o ganache. Nota: não aqueça o ganache acima de 34C.
  • Adicione a manteiga ainda com a mistura do ganache quente.
  • Adicione os líquidos aromatizantes, se for utilizado.
  • Coloque o ganache para descansar em uma temperatura de aproximadamente 22C. O ganache deve obter uma textura firme. Esse processo pode levar em torno de 1 hora, dependendo das condições do ambiente.
  • Espalhe o ganache sobre uma superfície de mármore e movimente a mistura com uma espátula até obter um resultado bem firme.
  • Retorne o ganache para o recipiente e ele já está pronto para se transformar em trufas.

Dica: a trufa não deve ser enrolada como um brigadeiro! O nome trufa vem exatamente do fungo trufa, que não tem um formato definido. Cubra a trufa com chocolate ou com cacau em pó.





Crescimento X Desenvolvimento

19 03 2010

Qual a diferença entre um país que está em crescimento econômico e um país desenvolvido? Um país economicamente “rico” é necessariamente um país desenvolvido? A resposta imediata para essas questões é não. Há uma grande diferença entre um país que está em crescimento e outro que está em fase de desenvolvimento.

Constantemente, ouvimos em noticiários dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) de um país, também chamado de produto agregado, que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro das fronteiras de uma nação. O PIB é uma variável interessante para ser utilizada como indicador econômico, pois permite mostrar a capacidade de geração de renda de um determinado país. Porém, se a idéia é mostrar a “qualidade de vida” da população, o produto agregado torna-se ineficiente.

Por exemplo, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009, as 15 maiores economias em 2007 foram:

Posição País PIB 2007 (Mil Milhões de USD)
1 Estados Unidos 13.751,40
2 Japão 4.384,30
3 Alemanha 3.317,40
4 China 3.205,50
5 Reino Unido 2.772,00
6 França 2.589,80
7 Itália 2.101,60
8 Espanha 1.436,90
9 Canadá 1.329,90
10 Brasil 1.313,40
11 Federação Russa 1.290,10
12 Índia 1.176,90
13 México 1.022,80
14 Coreia Republica 969,80
15 Austrália 821,00

Tabela 1 – PIB 2007 (Valores absolutos – sem PPC)

A economia da China aparece como a 4ª maior do mundo na ótica do produto agregado, que mostra o quanto a China foi capaz de produzir em 2007. Porém, é notório que um país com uma população grande é capaz de produzir mais do que um país com uma população menor. Sendo assim, outra variável que passa a ser muito utilizada é PIB per capita, que mede o produto da economia de um país em contraste com o tamanho da sua população. A Tabela 2 está populada com dados referentes ao PIB per capita, retirados também do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009:

Posição Países PIB Per Capita
1 Luxemburgo 103.042,00
2 Noruega 82.480,00
3 Qatar 64.193,00
4 Islândia 64.190,00
5 Irlanda 59.324,00
6 Dinamarca 57.051,00
7 Suíça 56.207,00
8 Suécia 49.662,00
9 Países Baixos 46.750,00
10 Finlândia 46.261,00
11 Estados Unidos 45.592,00
12 Reino Unido 45.442,00
48 México 9.715,00
58 Brasil 6.855,00
59 Cazaquistão 6.772,00
60 Argentina 6.644,00
103 China 2.432,00
104 Geórgia 2.313,00

A China que é a 4ª maior economia, com base no produto agregado, despenca drasticamente quando se utiliza o PIB per capita, pois o alto valor do seu PIB recai sobre o tamanho de sua população. O mesmo acontece com o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo.

O PIB per capita remonta à questão da geração de renda em um país, mas não nos diz de qual forma ela é divida entre a população, o que é fator muito importante, pois se for uma divisão muito desigual, essa situação pode impactar diretamente na qualidade de vida das pessoas. O Brasil é um exemplo clássico de país que tem um dos piores indicadores de distribuição de renda no mundo, causando um alto nível de desigualdade na população (embora esse cenário tenha melhorado nos últimos anos).

É de extrema importância analisar até que ponto a renda gerada por um determinado país reverte-se em benefícios para a população, como educação, saúde e saneamento. Em outras palavras, é preciso avaliar a qualidade de vida da população em contraste com o nível econômico do país, moldando o confronto entre crescimento econômico X desenvolvimento humano.

O crescimento econômico diz respeito à elevação do produto agregado do país, ou seja, o crescimento do PIB. Já o desenvolvimento é um conceito extremamente amplo que leva em consideração questões como qualidade de vida e redução das diferenças sociais entre os membros de uma sociedade. Um aumento do PIB de um país, por exemplo, não significa necessariamente uma elevação da qualidade de vida da população, embora seja fundamental para o processo de desenvolvimento. É importante ressaltar também que para medir o desempenho econômico de um país, o mais recomendável é a utilização do PIB per capita e não o produto agregado (PIB).

Mas de qual maneira podemos analisar a situação social e a qualidade de vida de um país? Um dos pontos mais importantes é a distribuição de renda, que pode ser analisado a partir de um índice denominado índice de Gini. Esse índice varia entre zero e 100 (muitas vezes também é apresentado entre zero e 1). Quanto maior o número, ou seja, quanto mais próximo de 100 ou 1 (dependendo da escala utilizada), indica que pior é a distribuição de renda no país; quanto mais próximo de zero, melhor a distribuição.

No caso do Brasil, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano, o índice Gini é 55,00. Nos Estados Unidos esse índice chega a 40,8 e na Noruega bate os incríveis 25,8. No quesito desigualdade de distribuição de renda, o Brasil chega a perder inclusive para os países vizinhos, que mesmo com um PIB menor, conseguem melhores índices no indicador Gini, como é o caso da Argentina, com seu índice batendo em 50,0. A China, quarta maior economia, apresenta o índice Gini de 41,5.

Mas além do índice Gini, existem outros meios de medir a qualidade de vida de uma população, como as estatísticas baseada na linha da pobreza, indicadores de perfis distributivos e também o mais famoso índice de desenvolvimento humano (IDH). Esses indicadores sociais são os determinantes do nível de desenvolvimento de um país. Como já visto anteriormente, um crescimento econômico não está atrelado diretamente ao desenvolvimento, pois se o primeiro for muito concentrado, ou seja, pouco distribuído, uma grande parcela da população não está se beneficiando da elevação de renda gerada na economia.

O IDH é um índice criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) com o objetivo de medir o desenvolvimento “social” de um país, uma vez que é difícil mensurar a qualidade de vida da população com base apenas nos indicadores econômicos. O IDH agrega em sua metodologia três principais vertentes:

  • Um indicador de renda (renda per capita, ajustada para refletir a paridade do poder de compra)
  • Um indicador das condições de saúde, que nada mais é do que o índice de esperança de vida.
  • Um indicador das condições de educação (uma média ponderada dos seguintes indicadores: taxa de alfabetização de adultos e a taxa de escolarização bruta em relação ao ensino primário, secundário e superior).

Segue abaixo as fórmulas utilizadas para calcular o IDH:

  • IDH = E + S + R / 3
  • E = 2TA + TE / 3
  • S = EV – 25 / 60
  • R = log10 PIBpc – 2 / 2,60206
  • Onde, TA = taxa de alfabetização, TE = taxa de escolarização, EV = esperança de vida, log10PIBpc = logaritmo decimal do PIB per capita.

A essência fundamental do IDH é que todo o crescimento econômico deve vir acompanhado de uma elevação da qualidade de vida da população, como aumento da expectativa de vida e expansão das condições de educação, refletindo assim um nível maior de desenvolvimento.

Depois de uma série de manipulações estatísticas (fórmulas citadas anteriores), esses três componentes,  se transformam em um número que varia entre zero e um. Quanto maior o valor IDH, ou seja, quanto mais próximo de 1, melhor é a qualidade de vida da nação. Abaixo está a tabela com o nível de classificação dos países:

  • IDH de um país entre 0 e 0,499, é considerado baixo – país de desenvolvimento baixo
  • IDH de um país entre 0,500 e 0,799, é considerado médio – país de desenvolvimento médio
  • IDH de um país entre 0,800 e 0,899, é considerado elevado – país de desenvolvimento elevado
  • IDH de um país entre 0,900 e 1, é considerado muito elevado – país de desenvolvimento muito elevado

A tabela abaixo está populada com o ranking IDH 2009 (dados de 2007), retirado do Relatório de Desenvolvimento Humano 2009.

De acordo com essa tabela, o país mais desenvolvido, ou que apresenta a melhor qualidade de vida é a Noruega. O Brasil, que apareceu na primeira tabela como sendo a 10ª maior economia, agora aparece na posição 75º do ranking IDH. Essa situação ilustra claramente a diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento. Nem sempre um país “rico” tem condições humanas de um país desenvolvido, e a grande parcela de culpa está no fato da desigualdade da distribuição de renda. O Brasil teve uma pequena queda na desigualdade no ano passado, e o programa Bolsa Família foi um dos responsáveis por essa melhora. Eu não estou defendo o governo Lula e nem exaltando o Bolsa Família, mas quero simplesmente demonstrar que um programa de transferência de renda pode trazer bons resultados para tais índices vistos anteriormente.





Revolução das Mídias Sociais

11 03 2010

Esse vídeo traz alguns dados interessantes em relação às mídias sociais, um novo modelo social e econômico que já está consolidado. É importate ressaltar que uma das principais vantagens das mídias sociais é a quebra das barreiras dos modelos produtivos, que anteriormente estavam apenas nas mãos das grandes indústrias, e hoje estão distribuídos nas mãos da sociedade.